
Por que entrei
na política
Saí da periferia de São Paulo.
Quando morava lá, vi de perto a ausência do Estado e o crime controlando a vida das pessoas. Vi, principalmente, o sofrimento das mulheres. Vi mulheres querendo chamar a polícia porque estavam sendo agredidas pelos maridos, mas sendo impedidas pelo traficante da rua. Vi crianças de fralda, abandonadas em ruas sujas, sem ninguém para cuidar delas. Vi usuários de drogas consumindo drogas diante de crianças pequenas, como se aquilo fosse normal.
Vi o funk transformando a humilhação e a degradação da mulher em entretenimento, e a sociedade se acostumando com isso. Vi a desordem prevalecer quando trabalhadores passavam a noite em claro por causa do pancadão e dos arruaceiros que dominavam as madrugadas.
Naquele ambiente, o destino esperado para uma menina como eu era claro: engravidar cedo, admirar vagabundo ligado ao crime, talvez entrar no mundo das drogas, viver sobre um esgoto e acreditar que aquela vida era normal.
Mas, graças a Deus, minha família conseguiu melhorar de vida e sair dali. Fomos morar no interior.
Foi então que comecei a entender o verdadeiro papel do Estado, os meus direitos e também os meus deveres. Meus pais conseguiram me colocar em um ambiente mais educado, mais estável e mais seguro. Conseguiram me transmitir valores de honestidade, responsabilidade e trabalho.
Ganhei algo que parece simples, mas que mudou minha vida: um quintal para brincar. Ganhei uma cidade onde eu podia andar na rua sem pensar se chamaria a atenção de um criminoso ou de um drogado que pudesse me assediar ou me machucar. Descobri que o verde das árvores podia trazer paz.
Quando percebi de onde eu tinha saído e para onde eu tinha ido, tomei uma decisão: lutaria para que minha família nunca mais ficasse à mercê de criminosos, corruptos e daqueles que querem tirar a nossa liberdade.
Nós conseguimos crescer. Conseguimos vencer. Mas eu não me contentei apenas com a vitória da minha família.
Hoje, quero lutar para que milhões de brasileiros tenham a mesma oportunidade que eu tive.
Quero transformar em ação a dor que vivi. A dor de ver meu pai ser sequestrado. A dor de perder a liberdade de caminhar na rua sem medo. Afinal, é apenas uma rua — e mesmo assim tantos brasileiros não se sentem seguros para andar nela.
Quero responder àqueles que chamavam minha família de otária por acordar cedo e trabalhar em vez de entrar para o crime. Quero enfrentar os corruptos que abandonaram meus avós em um sistema de saúde sem infraestrutura. Quero enfrentar os políticos que prometeram educação e entregaram alienação. Quero enfrentar os que tratam o Estado como espaço de privilégios e irresponsabilidade, enquanto a inflação corrói o salário e destrói o poder de compra do povo.
Chega do tempo em que os honestos vivem acuados e os criminosos vivem protegidos.
Chega da degradação moral, da desordem e da cultura que normaliza o abandono, o crime e a violência.
Está no momento do Brasil cortar a corrente dessa devassidão moral, deixar de ser escravos e tornarmo-nos senhores. Temos que deixar de ser brasileiros para sermos os BRASILIANOS.
Caroline Barbosa
Política com propósito
Como ser um bom político? Foi essa a pergunta que me fiz quando decidi me filiar a um partido. Bons exemplos, infelizmente, não são abundantes. Por isso, resolvi buscar orientação não em slogans ou em paixões momentâneas, mas no conhecimento acumulado pela humanidade.
Voltei-me para Platão, Maquiavel, sociólogos, economistas e pensadores que tentaram compreender como as sociedades se organizam, prosperam ou entram em decadência. E percebi algo fundamental: a sociedade precisa de rigor intelectual na tomada de decisões públicas.
Governar não deveria ser um exercício de improviso, vaidade ou popularidade. Deveria ser a aplicação de método, análise e responsabilidade. É trazer para a política a lógica das ciências: observar a realidade, identificar problemas, formular hipóteses, testar soluções, medir resultados e corrigir erros.
Aplicar método à política é perguntar:
- 01Qual é o problema real?
- 02O que precisa ser transformado?
- 03Quais hipóteses podem melhorar essa realidade?
- 04Quais variáveis influenciam o resultado?
- 05Que incentivos e desincentivos podem alterar essas variáveis?
- 06Como medir se a política pública funcionou ou fracassou?
Não prometo que as decisões serão sempre fáceis. Em muitos momentos, as escolhas corretas podem ser impopulares, difíceis e exigir coragem. Mas faço um compromisso: que essas decisões sejam tomadas com honestidade intelectual, responsabilidade moral e pensando não apenas no presente, mas nas próximas gerações.
Porque o verdadeiro papel da política não é administrar a decadência. É libertar um povo das correntes da dependência, da corrupção e da escravidão moral, e construir um país mais justo, mais forte e mais digno para aqueles que virão depois de nós.