Minha história com o Paraná começou antes mesmo da minha chegada.
Ela teve início nos anos que antecederam a Segunda Guerra, quando minha família deixou a Polônia e desembarcou no Rio de Janeiro. Para sobreviver, precisou esconder parte da própria identidade: nosso sobrenome Mahra foi trocado por Rosa — e desde então virou tradição que homens e mulheres da família carregassem “Rosa” no nome. Perseguidos e desconfiados, meus familiares buscaram refúgio em terras ainda pouco alcançadas pelo Estado brasileiro. Foi assim que chegaram ao Norte do Paraná, atraídos pela promessa de uma terra tão fértil quanto as da Polônia e da Ucrânia.
Aqui, ajudaram a construir uma região inteira. Viram nascer as ferrovias, o avanço da agricultura, o cultivo do algodão, da seda e, sobretudo, do café — Londrina chegou a ser conhecida como a Capital Mundial do Café. Até que, em 1975, a Geada Negra destruiu plantações, sonhos e o futuro de muitas famílias. Minha avó foi uma dessas pessoas: deixou Londrina e partiu para São Paulo em busca de nova esperança. Mas havia nela algo como uma promessa — a de que o sangue dela ainda voltaria para a terra vermelha. Quase meio século depois, eu voltei.
Voltei porque essas terras prometem grandeza e muitas vezes permanecem subutilizadas, curvadas diante de elites acomodadas e de líderes sem coragem de realizar o seu verdadeiro potencial. Não voltei movida por ressentimento, e sim por propósito: resgatar a dignidade de quem trabalha, valorizar o interior, fortalecer a produção e reconstruir a confiança do povo na própria terra. Porque o Paraná não nasceu para ser pequeno.
Caroline Barbosa